O chapéu de dois bicos de Slas Malafaia


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Original aqui

Há alguns dias atrás publiquei um texto no qual teci comentários favoráveis ao ministério do Pastor Silas Malafaia, atual Vice-Presidente da CGADB. Reafirmo os elogios que lhe fiz no tocante as suas contribuições ao pentecostalismo brasileiro, mas não posso deixar de retificar alguns equívocos que cometi naquele texto. Para tanto, tomarei a liberdade de unir com reflexão de hoje partes inteiras do texto anterior, a fim de contextualizar a situação.

Antes, porém, faço questão de explicar a origem do título deste artigo. ‘Chapéu de dois bicos’ é expressão constantemente utilizada pelo referido pastor quando quer alertar sobre pessoas falsas, do tipo ‘duas caras’. Uma expressão bastante apropriada e reflete bem aqueles que pensamento dúbio, atitude suspeita e inconstante. Ao ler este artigo o leitor compreenderá o significado do título. Se possível, leia-o apenas depois de ter lido o ‘Parabéns ao Silas Malafaia’, publicado a cerca de duas semanas. Os trechos que seguem em marom são partes dele.

O Pastor Silas Malafaia dispensa apresentações. Três coisas, porém, parece-me interessante destacar. A primeira é que o Pr. Silas é um dos pioneiros do tele-evangelismo brasileiro. Pode parecer pouca coisa, mas a luz do contexto legalista que envolvia o pentecostalismo, nos é possível dar-lhe o devido tributo pela ousadia e pioneirismo. A segunda coisa que merece destaque é o fato de ele ter sido sempre um aguerrido defensor de um pentecostalismo mais bíblico e racional. Em terceiro lugar, destaco que na última AGO da Convenção Geral das Assembléia de Deus no Brasil, o Pastor Silas Malafaia foi eleito Vice-Presidente da CGADB.

A história recente deste homem de Deus, todavia, tem assustado algumas pessoas, inclusive este blogueiro. Podemos destacar dois momentos aqui: a publicação da Bíblia de Batalha Espiritual e Vitória Financeira, e a publicação do livro A Ultima Transferência de Riquezas. Estas duas obras são fruto da mente de Morris Cerulo, reconhecidamente, um dos principais pensadores da Teologia da Prosperidade na terra do Tio Sam.

Que teria acontecido com o Pastor Malafaia? Estaria ele mudando de posição teológica? Estaríamos conhecendo o mais novo defensor da Teologia da Prosperidade? Estas questões ganharam grande importância nas vésperas da última AGO. Muitos temiam – e temem – que o pastor Silas introduza valores estranhos no coração do pentecostalismo.

Em seu programa de televisão e em diversas pregações pelo Brasil, o pastor é enfático em rebater esta teoria. Em sua defesa, o pastor afirma [acertadamente] que a Bíblia funciona para aqueles que obedecem aos preceitos do Senhor e, também, que ele jamais ensinou, nem ensinará, que isso signifique uma vida de riquezas para todas as pessoas.

Como escrevi no texto acima, muitos temiam, e ainda temem, que o pastor Silas introduza valores estranhos no coração do pentecostalismo, especificamente no coração das Assembléias de Deus. Hoje, tomo a palavra com uma missão triste: constatar que tais temores estão se concretizando a passos largos.

Se ontem eu escrevi ao ilustre conferencista dando-lhe os parabéns, hoje lhe escrevo para oferecer meus pêsames. Há cerca de uma semana, zapeando pela tv, depois de ter assistido ao ‘Viola Minha Viola’, dou de cara com o pastor Silas Malafaia, no canal 13, entrevistando um falso profeta da prosperidade que atende pelo nome de Pastor Flamarion. Quase enfartei, meus amigos! Uma cena degradante, odiosa, lamentável. Tanto ou mais lamentável que a tentativa que Malafaia fez de vender aos brasileiros a figura de Mike Murdoc, como sendo “homem mais sábio da América”. Estão lembrados? Falei alguma coisa a respeito no artigo anterior; vejam:

… Não é fácil esquecer o pastor Malafaia vendendo aos brasileiros, o americano Mike Murdock, como sendo o “homem mais sábio da América”. Certamente os leitores se lembraram deste fato lamentável. Lamentável, pois, alerto os menos avisados, Murdock, a semelhança de Cerrulo, é um dos propagadores da lei da Semeadura, que em síntese, visa tornar os telespectadores em féis contribuintes… Por exemplo, uma testemunha escreve:

“Em três de janeiro de 2003 no seu programa, ele procurava dizer que precisava de $300, mas afirmou sentir que estava sendo levado pela “unção” a dizer $70. São apresentadas fórmulas mágicas de como conseguir dinheiro e os meios de enriquecer, assim nós podemos receber tudo que desejamos da mão de Deus. Ele diz para as pessoas escreverem o nome de alguém em um cheque de $58 se você quiser ver um milagre acontecer na vida dela. Ele então conta histórias de como dentro de 58 dias ou exatamente 58 dias depois o milagre aconteceu de acordo com o que foi escrito. Associando que Deus responde a oração de acordo com o número de dólares dados ao seu ministério!!!

Murdock se vê como um profeta do lucro: “nunca se rebele contra um mensageiro da instrução financeira que Deus ungiu para destrancar sua fé”.Então a audiência repete isso em voz alta.

Ele diz que odeia a pobreza, “sua humilhação, vergonha, paralisia. Todas essas coisas vêm do pecado”.Isso é o que ele prega sobre riqueza e prosperidade, ele pensa que dinheiro é a resposta para todas as coisas…”.
Ao vê-lo, hoje, na companhia e ainda recebendo instruções explicitas do guru Flamarion, aquelas antigas perguntas retornaram com força total: – Que teria acontecido com o Pastor Malafaia? Estaria ele mudando de posição teológica? Estaríamos conhecendo o mais novo defensor da Teologia da Prosperidade?
A resposta, querido leitor, lamentavelmente se impõe como um sonoro “Sim!”. Escrevi no ‘Parabéns ao Pastor Silas’ sobre haver uma possibilidade de o pastor, ao publicar aquelas aberrações, ter cometido apenas um desgraçado erro editorial, uma incoerência, um deslize. Engano, engano! Minhas conclusões estavam erradas, como tentou alertar o perspicaz irmão Cléber, do blog Cinco Solas. Hoje, o pastor Malafaia me obriga vir a público corrigir meu erro. Ao menos tenho a consciência tranqüila por lhe ter dado o benefício da dúvida.
Será que possuo tendências românticas? Desejei acreditar que em meio à comercialização selvagem da fé, homens como Malafaia poderiam sair ilesos. Engano, engano! Por alguns instantes me esqueci dos conselhos de Gondim sobre a falsidade que envolve o glamour ministerial. Azar o meu. Aqui estou, corrigindo o mau dito.
Flamarion ensinando Malafaia a arrancar dinheiro dos tolos crentes! Por Deus! Onde vamos parar?! Será que o pastor não sabe que a denominação deste moço, lá no Estado de Minas, vive atolada num complexo drama de corrupção que vai de politicagens a ameaças de morte? E coisa toda noticiada em rede nacional! Será que o pastor desconhece que a denominação deste moço, lá pelas bandas da Alterosa, não passa de um centro de ‘macumbaria gospel’, com seus tapetes de fogo, óleos de mira, óleos de Israel, chaves da benção, quebras de maldição; alianças consagradas e outras crendices do naipe?
Neste fim de semana último recebo comunicado de um amigo me informando que pretende se candidatar a uma convenção em Minas. Fico feliz. E fico temeroso. Feliz por saber que ele tem bagagem suficiente para dar rumos mais apropriados a tal convenção; mas, temo por saber que a mesma foi recentemente dividida por um jovem pastor que prefere seguir o exemplo ‘evangelístico’ de Flamarion! Há esperança para o movimento evangélico, especialmente ‘pentecostal’? Quero continuar acreditando que sim. Quero, quem sabe, dedicar tudo o que eu puder no projeto deste meu amigo, desde a sua campanha até seu plano diretor. Todavia, a cada dia que passa, me parece mais provável que gente que ainda se mantém apegado a ‘velharias’ como o ‘sola scriptura’ sinta-se atraído pelas confissões tradicionais…
– Pastor Malafaia, Deus está me dizendo que, neste momento, está chamando pessoas para plantarem uma semente.
– Eu creio, Flamarion!
– Pastor Malafaia, aprendi que aqueles que plantam fé colhem milagres!
– Em nome de Jesus, meu querido!
– Pastor Malafaia, eu tinha um grande sonho, porém, tudo o que eu tinha em mãos era dez mil reais. Que eu fiz? Semeei aquela quanto que me era insuficiente. Que aconteceu? Colhi muitas vezes mais e realizei o meu sonho!
– Que testemunho maravilhoso, Flamarion! Estou até pensando num novo quadro para o me programa…
– Pastor; temos descoberto que quando Deus pede uma semente, é porque ele já tem preparado a colheita! Veja o que ele fez com Abraão ao lhe pedir que sacrificasse seu filho!
[Nota: Claro que o guru da prosperidade esqueceu de dizer que Abraão não sacrificou nada, né? (risos). Na verdade, ‘esqueceu’ é eufemismo; o fato é que tais detalhes não convêm para os negócios, afinal, caso a história de Abraão sirva de base para as nossas ofertas, teremos de concluir que não é preciso ofertar nada, apenas estar disposto a fazê-lo. Nossa! Isso esvaziaria os bolsos de muita gente por ai!]
– Que coisa interessante, Flamarion. Certamente temos pessoas, até de muitas posses, que poderiam fazer um propósito de fé ainda hoje…

– Pastor, claro que não estamos prometendo nada, apenas conto o que aconteceu comigo…

– Deus tem me falado durante a semana a respeito de alguém que precisa fechar um grande negócio… Essa pessoa tem falado até em ofertar-nos certa porcentagem. Olha, telespectador, faça seu propósito agora mesmo.

Covardes! Filhos do engano!

Eis a qualidade teológica do obreiro que conseguir ser eleito como Vice-Presidente da maior denominação pentecostal do Brasil!

Entendo que o pastor, segundo diz, esteja devendo algo em torno de dois milhões de reais. Mas, e daí? Se não lhe é possível manter tamanha estrutura televisiva de forma ética e bíblica, então que caia fora; que deixe de lado. Até porque o benefício de tais investimentos para a Igreja é facilmente questionado. O único benefício palpável é a grandeza sempre crescente dos que controlam as empresas por trás destas empreitadas. Não precisamos de impérios, que mania imbecil e tola nós evangélicos temos!

Ah! Que saudades da simplicidade do evangelho… Simplicidade cada vez mais distante, inclusive para nós, saudosos e iludidos assembleianos. Saudosos daqueles dias que ‘eles’, os vendilhões do templo, eram ‘eles’ e ‘nós’ éramos ‘nós’. E iludidos com o discurso oficial sobre a suposta existência de uma ‘identidade assembleiana’. Que identidade tem uma Igreja cuja convenção avaliza o ministério um certo pastor que acredita numa galinha falando em línguas e um galo interpretando? Que identidade é essa que na EBD nos incentiva a “ordem e decência”, mas oficialmente participa de eventos esdrúxulos como o GMHU? Que identidade tem uma denominação que ele este homem, Silas, como vice-presidente?

De repente o maluco do Cáio Fábio seja mais sóbrio do que todos nós juntos.

Como disse no artigo anterior, na ocasião fui surpreendido por ter contemplado a simplicidade do Evangelho que desabrochou como uma linda flor… num lugar onde eu não estava esperando vê-la. Hoje, lamentavelmente, adquiro a convicção de aquele lampejo de sobriedade não surgiu apenas num lugar inesperado, mas também, num lugar onde não deveria e não deve ser esperada; a não ser por um acaso.

No fim do artigo eu critiquei Silas pelo uso que faz das tais “palavras proféticas”, e afirmo querer acreditar que, novamente, o amado irmão tenha apenas se esquecido que tal prática também é ‘crendice’, exatamente como as que ele diz condenar. Ao que parece, errei de novo, e feito: o pastor Silas Malafaia não se esqueceu deste detalhe, sua prática demonstra apenas que ele é farinha do mesmo saco, e não apenas amigo dos gurus que diz condenar; fato que continuará a desmentir com palavras dúbias, com a intenção de agradar gregos e troianos.

No próximo fim de semana, quando terminar o belíssimo ‘Viola Minha Viola’; lembrarei de fazer duplo clique quando o próximo ‘zap’ for o canal 13.

Paz e bem.

Marcelo Lemos em Olhar Reformado

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Um Cristão Inconformado

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