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O ocidente e o isolamento de Israel


 

HEITOR DE PAOLA

A estratégia em relação a Israel – discutida com países europeus – é isolar este país com demandas inaceitáveis.

Desde que Obama foi ungido oficialmente como Candidato do Partido Democrata que muitos, inclusive eu, vimos advertindo para uma mudança da política americana em relação a Israel em médio prazo. De todas as mudanças (changes) que Obama e sua equipe pretendem fazer (and yes, they can!) a diplomática é uma das principais. Esta mudança diplomática pode ser resumida na seguinte frase: dar as costas aos amigos tradicionais e estender as mãos aos inimigos. A segunda parte é baseada na idéia psicótica que os inimigos existem por culpa da suposta arrogância americana e dos demais países ocidentais e que, abandonando-a, as inimizades acabarão.

Conheço bem estas idéias dentro da minha área profissional. Na segunda metade do século passado a visão psicobiológica de Freud, baseada na existência de instintos herdados e imodificáveis pelo mundo externo, cuja influência se dá apenas nas camadas mais superficiais da mente, foi cedendo lugar paulatinamente à influência de Donald Winniccott na Inglaterra e Heinz Kohut nos EUA. Apregoavam estes autores que a agressividade não é inata, mas provocada pelas agressões do mundo externo, particularmente pelos pais.

Estas idéias caíram como uma luva para os próceres da Escola de Frankfurt, já influenciados pela assim chamada antropologia cultural de Franz Boaz. A contracultura das décadas de 60-70 comandada pelos principais teóricos desta escola, como Herbert Marcuse e Erich Fromm, utilizou-se delas para justificar a rebeldia da juventude contra uma ‘ordem sócio-familiar injusta’. Muito maior que o apelo marxista, meramente economicista, foi o apelo à revolta contra pais cruéis ou ‘indiferentes’. O filme Juventude Transviada, (Rebel Without a Cause) com James Dean, Natalie Wood e Sal Mineo, de 1955 é um ícone desta pseudo ideologia, cuja influência nefasta era mais facilmente absorvida. Obviamente os marxistas que queriam destruir a sociedade americana, souberam utilizar-se desta rebeldia de forma magistral. Se aqueles rebeldes não tinham uma causa, esta lhes foi dada: os pais foram identificados com a burguesia, com os patrões que desprezavam seus empregados. A filmografia, tanto quanto a literatura, tornou-se prolífica neste gênero de filmes, culminando do outro lado do Atlântico com Pai Patrão (Padre Patrone), ‘um traumatizante relacionamento entre um garoto e seu pai autoritário na patriarcal sociedade de Sardenha’.

A influência destas idéias nas crianças e jovens daquela época levou-os, agora adultos, a formular idéias políticas condizentes, uma delas a de que os países desenvolvidos são atacados porque menosprezam os países pobres e subdesenvolvidos. E dentro de cada país as classes abastadas são atacadas porque desprezam os pobres e são culpadas, por isto, de suas mazelas.

Apesar da resistência do conservadorismo nos países ocidentais, a rebeldia venceu de forma esmagadora no mais importante deles. Obama, Hillary e a cúpula em Washington D.C. não sei – desconfio que não, não passam de hipócritas em busca de poder, mas a maioria dos seus eleitores acredita que os EUA é que devem mudar sua conduta arrogante, trair seus aliados tradicionais e se ajoelharem frente aos inimigos oferecendo-lhes a paz e a conciliação. No dizer de Michael Barone, Obama slights our friends, kowtows to our enemies (desdenha dos amigos e se prostra frente aos inimigos).

A estratégia em relação a Israel – discutida com países europeus – é isolar este país com demandas inaceitáveis, incluindo, segundo informa Nahum Sirotsky, algumas sobre Jerusalém: abrir um escritório comercial palestino, no que seria a primeira presença formal deles na cidade que demandam como capital de seu futuro estado, suspender construções em bairros judaicos inseridos na área leste de Jerusalém e desistir de construir o novo bairro de Ramat Schlomo que provocou as mais recentes reações palestinas.

Este isolamento de Israel também teria um outro propósito: o de forçar Israel a tomar a iniciativa e atacar o Irã, empurrando-o cada vez mais para a condição que já ocupa de um dos países párias da ‘comunidade internacional’.

Publicado no Jornal Visão Judaica, Curitiba, Paraná.

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