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A História do Movimento Carismático


Gary A. Gilley

O que teve início numa esquina, na virada do século 20, está agora predominando na Main Street. O que antes foi conhecido como Movimento Pentecostal, agora se divide em numerosos, diversos e interligados movimentos: Pentecostal, Carismático, Vineyard, Palavra da Fé, Riso Santo, dentre muitos outros.

 

Conquanto o Movimento Carismático tenha proliferado no século 20, idênticas “visões” e manifestações podem ser traçadas a certas ocasiões da história:

“Nos tempos antigos, a prática do falar em línguas (glossolalia) desconhecidas, durante um êxtase religioso, não era desconhecida. Desde o século 11  a.C., temos registros de linguagem extática, no Egito, e, mais tarde, no mundo grego, onde as profetisas Delphie e Sibiline falavam em línguas estranhas. Entre as religiões romanas de mistério, o culto a Dionísio ficou conhecido com esta prática.

Vários entre os antigos Pais da Igreja mencionam a glossolalia na igreja. Irineu e Tertuliano (200 d.C.) falaram favoravelmente sobre esse fenômeno. Crisóstomo (400 d.C.) o desaprovava, enquanto Agostinho (430 d.C.) declarou que esse dom fora confinado apenas aos tempos do Novo Testamento. O Movimento Montanista (final do século 2) incluía profetisas, aprovando revelações, glossolalia e uma visão ascética e legalista. Este movimento foi considerado herético pela igreja oficial e o falar em línguas parece ter sido raramente encontrado na igreja, depois desse tempo.


Durante a Idade Média, o falar em línguas foi registrado em alguns mosteiros da Igreja Ortodoxa. No século 17, ele parece ter sido praticado na França, entre os huguenotes (protestantes) e entre os jansenistas (católicos pietistas). No século 19, a glossolalia foi praticada na América, entre os “shakers” (Quakers) e os Mórmons. Na Escócia e em Londres, ele foi praticado entre os seguidores de Edward Irving, o qual o entendeu como sendo um derramamento final do Espírito Santo, numa “chuva serôdia” (latter rain), antes do retorno do Senhor” (Citação colhida na “Christian Theology”,  de Erickson Millard, e no Evangelical Dictionary of Theology, de Walter Elwell, – “Montanists, Pentecostalism and Tongues Speaking In”.

Duas coisas diferentes podem vir à mente, quando se escuta o termo “carismático”. Alguns pensam em um grupo de pessoas famintas pelo Senhor, andando no poder do Espírito, espirituais na adoração, agressivas no evangelismo e abundantes no amor. Outros vêem os carismáticos como indivíduos orientados à experiência, imperialistas na aparência (achando que somente eles possuem o evangelho pleno), elitistas no posicionamento, descontraídos na adoração e afastados de um exato discernimento bíblico, o que depressa pode ser comprovado. O Movimento Carismático cresceu, rapidamente, e se tornou bastante diversificado. Por isso, seria perda de tempo colocar todos os seus desmembramentos sob o mesmo prisma. Contudo, a maioria dos críticos e carismáticos professos: Oral Roberts, Larry Lea, Earl Paulk, Dick Iverson, Kenneth Hagin, Kenneth Copeland, Bob Tilton e muitos outros, têm proclamado, hoje em dia, que o Movimento Carismático está acabando e que um novo “mover de Deus” está chegando. Bill Hammon, um dos modernos “profetas” reverenciados na comunidade carismática, afirma:

“A geração Joshua está no comando  e o sacerdócio pastoral está conduzindo a presença restauradora da Arca de Deus, através do Jordão. A viagem do Movimento Carismático tem cumprido o seu propósito de conduzir a igreja de volta ao Rio Jordão. Agora, a nuvem, de dia, e a tocha, de noite, passaram e os ministros, profetas e apóstolos se levantaram, a fim de prover proteção, direção e horário para o objetivo de Sua igreja, ou seja, aí vem uma onda de proporções indiscernivelmente gigantescas – uma onda de milhares de pés de altura – a qual deixará perplexas a imaginação e a  fé, tanto dos que, profeticamente, a vêem, como dos que têm ouvido a respeito dela, e que será maior do que a combinação de todos os movimentos anteriores combinados”. [N.T. – Esses visionários carismáticos usam e abusam do Velho Testamento, cujas promessas são exclusivamente dirigidas a Israel, espiritualizando o seu conteúdo, a fim de engodar os crentes, biblicamente iletrados, no afã de conseguir fama, fortuna e domínio espiritual].

O Movimento Carismático de Restauração, defendido pela maioria dos carismáticos de hoje, tem gerado uma tremenda pressão sobre os líderes carismáticos, a fim de  que estes compareçam com novas revelações espirituais e verdades espirituais mais profundas. [N.T. – Parece que essa turma de visionários jamais se conscientizou do que Paulo diz em Gálatas 1:6-8 e do que Cristo diz em Apocalipse 22:18-19. Por isso, eles ficam inventando novas revelações e profecias, acrescentando lorotas à Verdade da Palavra de Deus, ignorando, também, o que Jesus declarou em João 10:35: “a Escritura não pode ser anulada”].

O cardápio teológico servido, atualmente, na maioria das igrejas carismáticas, está recheado de [novos pratos, isto é] idéias novas, de novos ensinos doutrinários e de práticas esdrúxulas.

Conquanto existam diferenças básicas entre os novos movimentos que explodem, continuamente, entre os carismáticos, sua visão teológica predominante (a restauração dos apóstolos e profetas, bem como a direção escatológica) é a mesma. Os novos carismáticos estão proclamando que um “novo mover sobrenatural do Espírito de Deus” está varrendo todo o globo terrestre. Esse mover será tão revolucionário que todo o curso da história humana será mudado. Mas, para que tão maravilhoso sonho seja realizado, a maioria das igrejas cristãs deve se unir nessa filosofia e “propósito”. Desse modo, um dos objetivos dos carismáticos de hoje é transformar os carismáticos, bem como  os não carismáticos, em “novos carismáticos”. Em outras palavras, em carismáticos aderindo às novas idéias de restauração, num  profundo desejo de que todos os cristãos cheguem a experimentar esse “novo mover” do Espírito Santo, a eles se unindo no esforço de transformar, sobrenaturalmente, o mundo”. [N.T. – Temos aqui a “igreja mundial” bem delineada, com a apostasia galopando sobre o planeta, a qual será confundida com um fenomenal reavivamento].

A maioria se refere a este excitante e novo desenvolvimento, que se expande pelo mundo inteiro, como “reconstrucionismo” ou “restauração pela chuva serôdia”. Eles acreditam que a história está se movendo para um clímax espiritual, quando o poder de Deus será derramado sobre toda a igreja, como  jamais aconteceu antes.  Os promotores dessa “restauração” acreditam que este poderá ser o último “mover de Deus”, quando a igreja será investida de novo poder, a fim de recristianizar o mundo, antes da volta de Jesus. E para que se realize esse grande objetivo reconstrucionista/dominionista, o ministério quíntuplo (segundo os carismáticos) precisa ser expandido, conforme Efésios 4:11 (com apóstolos, profetas, evangelistas,  pastores e mestres), e reconhecido pela igreja, dando espaço para que se exerçam os dons sobrenaturais e a autoridade por Deus ordenada.

Alguns movimentos reconstrucionistas contemporâneos, sob a égide dos novos carismáticos, são: a Teologia do Reino, popularizada pelo nebuloso bispo Earl Paulk; [N.T. – o qual está sendo processado por estupro, segundo notícias na Internet, como um “vívido exemplo da santificação da igreja emergente”]; o Movimento da Confissão Positiva Palavra da Fé, liderado [nos Estados Unidos] por Kenneth Hagin (já falecido), Kenneth Copeland; Movimento da Terceira Onda de Sinais e Maravilhas, popularizado pelo  controverso “Vineyard”, fundado pelo falecido John Wimber. O elo comum entre esses grupos é o “mover sobrenatural de Deus”, através de “sinais e maravilhas”, a restauração do Cristianismo do primeiro século da igreja, antes da volta de Jesus, com o desempenho do papel chave dos novos apóstolos e profetas, para que se realize esse processo.

Para se entender os novos desenvolvimentos e ensinos que se expandem no mundo carismático, faz-se necessário retroceder na história, a fim de se examinar alguns dos movimentos mais duradouros do século 20, começando pelo Pentecostal. Ao traçarmos a origem desses movimentos, teremos uma visão mais ampla de como se originaram os seus ensinos e de como estes se desenvolveram através dos anos e, ainda, por que certas doutrinas carismáticas têm sido tão fortemente enfatizadas, nos dias de hoje.

A Explosão Pentecostal – O reavivamento da Rua Azuza, de 1906-1913, foi o sinal de partida para a renovação pentecostal, no mundo.  A principal característica desse derramamento pentecostal foi o “batismo no Espírito Santo”, uma experiência (segundo eles) subseqüente à salvação, o qual seria evidenciado pelo falar em línguas. Foi essa a jóia restauradora da coroa do chamado “Novo Pentecoste”. Entretanto, houve alguns flashes espirituais que precederam Azuza, os quais prepararam o palco para esse evento.

No dia 01/01/1901 [N.T. – Por coincidência, na semana em que aconteceu a edição da primeira Bíblia corrompida, embasada no Novo Testamento Grego de Westcott e Hort], em Topeka, Kansas, Agnes Ozman, uma estudante na Charles Penham’s Bethel Bible School, começou a falar em línguas. Pouco tempo depois, o próprio Penham teve a mesma experiência e, a partir daí, pregou que todos os crentes, que buscassem, diligentemente, a experiência do falar em línguas, seriam recipientes de bênçãos. Muita gente reconhece Penham como o fundador do Movimento Pentecostal.

          Penham, um ávido pregador da santificação, fora educado numa cultura de experiência religiosa.  Em sua busca por algo mais, as línguas vieram ao encontro dessa ávida busca. Em 1905, um zeloso pregador negro da santificação chamado J. Seymour, chegou a Alvin, algumas milhas ao sul de Houston (Texas), sob o patrocínio de Penham. Não demorou muito para que Seymour recebesse o “dom de línguas” e levasse a mensagem pentecostal até Azuza, em Los Angeles. Conquanto tivessem acontecido lampejos espirituais anteriores ao que aconteceu em Azuza, foi ali que a chama foi alimentada e começou a se espalhar pelo mundo. Depois que Penham e Seymour tiveram essa experiência em línguas, eles começaram a desenvolver um ambicioso esforço, no sentido de propagar o que eles acreditavam ser uma restauração miraculosa da doutrina apostólica: o “batismo no Espírito Santo”, evidenciado pelo falar em línguas. Penham ensinava que a volta de Cristo iria acontecer na trilha de um reavivamento mundial, com a “chuva serôdia”, na qual o Espírito Santo iria restaurar os dons miraculosos, gerando, assim, uma abundante colheita, no final dos tempos. A esperança da “chuva serôdia” feneceu em 1920, quando o Pentecostalismo adotou certas visões do dispensacionalismo. Mesmo assim, o Pentecostalismo permaneceu como um clássico movimento de reconstrução, apresentando novos e variados movimentos carismáticos, os quais vêem a igreja voltando às glórias do tempo do Novo Testamento. A restauração clássica objetiva do Pentecostalismo, a qual, supostamente, trouxe uma fase de maior realidade espiritual, foi o “batismo no Espírito Santo”, evidenciado pelo falar em línguas.

O Resgate Neopentecostal do Reavivamento – Um dos fenômenos mais notáveis, embora controverso, de uma poderosa emergência dentro do Pentecostalismo foi o da Doutrina e Ministério da Cura Divina. A partir da segunda metade do século 19, a prática da cura já existia na América. Contudo, para fortalecer o Pentecostalismo, alguns evangelistas independentes trouxeram uma nova ênfase à arena da cura divina, a qual, depressa, iria atrair uma adesão popular. A significação do reavivamento (cura das enfermidades) atingiu o clímax entre 1947 e 1958, com a exclusividade de popularizar um conceito de salvação, que incluía a cura como parte essencial da libertação do crente [Numa errônea interpretação de Isaías 53:4-5].

A religião pentecostal continuou atingindo o globo, nos anos 1930, e nos meados dos anos 1940, quando a carreira de alguns evangelistas independentes cresceu. Houve uma nova ênfase sobre os milagres. O “batismo no Espírito Santo” ainda era pregado, mas não como o foco principal das reuniões de reavivamento. O unânime pulsar dos corações, em cada culto, era a hora dos milagres -  o momento hipnotizador, no qual o “Espírito se movia”, para curar os enfermos e ressuscitar os mortos.

Denominações pentecostais, tais como as Assembléias de Deus, não favoreceram o reavivamento e passaram a considerar os evangelistas da libertação como “extremistas independentes”. Os líderes pentecostais se desgostaram com a falta de integridade entre os reavivalistas, os quais, freqüentemente, faziam declarações marcadas por absurdos exageros. A exibição de supostos milagres havia se tornado tão ostensiva que as reuniões de reavivamento se transformaram em verdadeiros “cultos à personalidade”. O historiador David Harvell cita um líder pentecostal dizendo:

“Os evangelistas da cura vivem em constante diálogo com os anjos e os demônios; com o Espírito Santo e com os espíritos abissais, causadores das enfermidades. Alguns de nós experimentamos correntes elétricas nos percorrendo as mãos, quando estamos orando pelos enfermos, enquanto outros apresentam um halo sobre suas cabeças, quando são fotografados, e outros ainda apresentam óleo nas mãos, quando estão orando”. [N.T. – Essa turma gosta de exibir uma boa dose de ocultismo, hem?].

Muitos tele-evangelistas atuais costumam adotar um estilo melosamente dramático nas orações, imitando os reavivalistas do século 20.

O Movimento Latter Rain (Chuva Serôdia) – Os três pioneiros à frente do Movimento de Libertação foram: William Branham, Oral Roberts e Gordon Lindsay. Estes homens tinham personalidades notavelmente diferentes. Contudo,  inquestionavelmente, formaram o combustível que alimentou o fogo do reavivamento. Branham acendeu a chama, instigando as multidões, com aparentes milagres e habilidade profética. Roberts foi o popularizador  da tocante mensagem de que Deus é bom e deseja que o Seu povo seja próspero e saudável. Ele foi o primeiro evangelista a levar as cruzadas de cura para dentro dos lares de milhões de pessoas (as quais jamais haviam escutado mensagens de cura), quando iniciou um programa semanal nacional de TV.  Os ensinos de Branham influenciaram, profundamente, uma nova seita brotando do reavivamento neopentecostal, conhecida como uma “New Order of The Latter Rain” (Nova Ordem da Chuva Serôdia). Ele organizou também os pensamentos e as práticas de muitos pentecostais de escol.

          O Movimento Latter Rain foi uma união, relapsamente organizada, de  entusiásticos beligerantes, em ferrenha oposição às denominações principais. Este Movimento criou disputas dentro das denominações pentecostais, como as Assembléias de Deus, por exemplo, vangloriando-se de ser uma nova demonstração de reavivamento contra os pentecostais “apóstatas”.

Embora o seu impacto tenha sido em pequena escala, seus efeitos foram sentidos no mundo inteiro e ele se tornou um dos vários catalizadores do Movimento Carismático dos anos 1960 – o Movimento Carismático Independente (da Confissão Positiva da Palavra da Fé) dos anos 1970, e do surgimento dos Novos Carismáticos dos anos 1980-1990. Reagindo contra a frigidez espiritual existente nos círculos pentecostais, a Nova Ordem da Chuva Serôdia passou a se considerar um refrescante oásis de retorno ao “Evangelho Pleno”, da igreja do primeiro século.

O sistema doutrinário do Latter Rain inclui o “batismo no Espírito Santo” (do Pentecostalismo), evidenciado pelo falar em línguas, e por um novo reavivamento de libertação pentecostal, com uma explosão de curas milagrosas. Contudo, este movimento febril teve também suas próprias características. Foram estes, principalmente os ensinos que modelaram o Movimento Latter Rain:

  1. Restauração – O desenvolvimento da Teologia da Restauração visualizava Deus como restaurando, progressivamente, as verdades da igreja, a partir da Reforma.
  2. Ministério Quíntuplo – O ensino de que Deus está restaurando o ministério dos apóstolos e profetas à igreja, junto com os outros três ofícios: evangelistas, pastores e mestres (Efésios 4:11). Segundo eles, os apóstolos e profetas proverão novas revelações, as quais irão desempenhar um papel importante na pavimentação para a segunda vinda de Cristo.
  3. Imposição de Mãos – Ritual executado pelos apóstolos e profetas modernos, compartilhando o Espírito Santo e outras bênçãos e dons espirituais.
  4. Profecia – Com visões de exortações, incluindo detalhes pessoais, para orientação e instrução pessoal, sendo restaurada na igreja.
  5. Retomada da verdadeira adoração – não ficando restrita a palavras generalizadas, com a crença de que a manifestação da presença de Deus depende de determinado tipo de oração, envolvendo: cantar em línguas, bater palmas, gritar, fazer profecias cantadas, com uma nova ordem de louvor, em coreografia.
  6. Imortalidade dos santos A crença de que os crentes que se movem dentro da verdade da restauração do Latter Rain, mas não necessariamente toda a igreja, atingirão o estado imortal, antes da volta de Jesus.
  7. Unidade da FéA doutrina de que a igreja, normalmente, quando perceber a si mesma como sendo um ajuntamento de vencedores, nas fileiras neopentecostais, atingirá a unidade da fé, antes de Cristo voltar.

Os Carismáticos Antigos – Muitos historiadores datam o início do Movimento Carismático em 03/04/1960. Neste dia, o Padre Dennis Bennett, da paróquia episcopal de São Marcos, em Van Nuis,  Califórnia, anunciou à sua congregação que havia recebido a plenitude e o poder do Espírito Santo, fenômeno que veio acompanhado pelo “falar em línguas estranhas”. Após ter recebido muita oposição, Bennet renunciou ao seu cargo em São Marcos e aceitou o convite para ser vigário na Igreja Episcopal de São Lucas, em Seattle, Washington, a qual veio a se tornar uma das igrejas carismáticas mais fortes no Noroeste [do país]. Durante uma década, ela foi um dos centros principais de onde o falar em línguas iria se espalhar pelo mundo inteiro, especialmente nas denominações principais.

          A importância do Movimento Carismático reside na penetração das “línguas do Pentecoste”  nas denominações mais importantes. Isto criou uma nova abertura à completa linha dos dons espirituais listados na 1 Coríntios 12:8-10 (sabedoria, conhecimento, fé, cura, milagres, profecia, discernimento de espíritos, línguas e interpretação de línguas), Livro de Keneth Copeland, onde se vê o Compasso e o esquadro, da Maçonaria.os quais jamais haviam penetrado antes, ali.  Certamente, nem todas as igrejas das denominações principais apoiaram esse novo Movimento, mas milhares de pessoas – dentro das igrejas mais importantes – estavam experimentando o falar em línguas e outras manifestações espirituais. Isto alimentou uma forte convicção de que todos os sinais e dons sobrenaturais (como línguas, curas, milagres, e em alguns casos, profecia) seriam para os dias de hoje. Embora os derramamentos carismáticos continuassem a se espalhar pelas igrejas principais, muitos líderes denominacionais abandonaram as igrejas tradicionais, para iniciar igrejas independentes, tendo ficado sob a influência dos ensinos da Confissão Positiva da Palavra da Fé, propagados pelos carismáticos independentes, tais como: Kenneth Hagin, Kenneth Copeland, Charles Capps e outros. Sua ênfase principal foi o ensino da fé, da cura divina e da prosperidade financeira. O ensino dizia que os crentes que, consistentemente, faziam confissão positiva sobre a sua situação física e espiritual, demonstrando grande fé, iriam receber abundantes graças de Deus.

 

          O principal movimento militante gerado no Movimento Carismático foi o dos “Manifestos Filhos de Deus”. Esta aberração copiou muitos dos seus ensinos doutrinários do Movimento Later Rain, tendo prevalecido durante os anos de 1960 e 1970. Seguindo os ensinos de William Branham, os Manifestos Filhos de Deus afirmavam que as denominações eram organizações fundamentadas na Babilônia. Muitos dos que quebraram seus vínculos denominacionais e se juntaram aos Manifestos Filhos de Deus acreditavam estar entrando na única arena onde a salvação seria possível.  Os mais ardorosos entre os Manifestos Filhos de Deus espiritualizaram a segunda vinda de Jesus, ensinando  que Ele e Sua igreja iriam se tornar um, em natureza e essência. Tronando-se uma com Cristo, isso resultaria em um Corpo, o “Pequeno Cristo na carne”, manifestando Jesus na Terra, através de uma contínua encarnação.

          Outro Movimento que se levantou, enquanto o Movimento Carismático ia se tornando conhecido, foi o do “Apascentamento e Discipulado”. Este Movimento cresceu a partir da tradição Latter Rain/Carismática e teve o seu ímpeto maior, nos anos 1970. O “Apascentamento” partiu de uma preocupação pelo discipulado efetivo, colocando uma grande ênfase na necessidade de submissão aos líderes espirituais. Este é um sistema opressor, no qual uma pessoa considerada imatura se submete à liderança de um “ancião”. Os anciãos (apascentadores) são sempre nomeados, do mesmo modo como acontece em outras hierarquias, com alguns se submetendo a outros, que estão em posição superior, na cadeia do comando. Uma disciplina completa é exigida dos que se submetem a um “ancião”. A liderança é absoluta, estendendo-se até mesmo à vida familiar do “apascentado”. Deixar de obedecer ao “ancião”, pode levar à repreensão, à condenação verbal e, em último caso, até mesmo à exclusão da comunhão. Este sistema, tão ostensivamente antibíblico, acontece quando uma pessoa se submete inteiramente a outra, que faz o papel de “apascentador” ou “ancião”. (Grifo nosso)

          O Movimento se originou no ministério dos cinco mestres de Fort Lauderdale, Flórida: Bob Mumford, Charles Simpson, Derek Prince, Don Basham e Ern Baxter (este, discípulo de Branham). Nos passados anos 70 o Movimento de “Apascentamento” causou uma grande ruptura nos círculos carismáticos, por causa do estrito controle que muitos “apascentadores” exerciam sobre os  membros. Em meados dos anos 1980, o termo “Apascentamento” foi posto de lado, depois que o Movimento ganhou má reputação, por causa dos seus abusos sectários. Mesmo assim, o conceito de “Apascentamento” ainda prevalece em vários círculos, hoje em dia (por exemplo, no Movimento Promise Keepers), sob novos rótulos, tais como “monitoração”, “cobertura” ou “pactos de relacionamentos”.

          O crescimento do Movimento Carismático e de outros movimentos semelhantes que eclodiram, a partir dos anos 1960 e 1970, colocou ênfase maior na experiência subjetiva do que na verdade bíblica, e, portanto, abriu uma “Caixa de Pandora” no mundo cristão. O Movimento Carismático tem sido prejudicial à igreja, por ter aberto muitas portas à sempre presente influência de experiências e de idéias não bíblicas. Isso se torna evidente quando se examinam os perigos das novas tendências que têm varrido, ultimamente, a comunidade carismática.

(Porções deste registro foram resumidas e/ou adaptadas por Garry Gilley, Pastor da Southern View Chapel, Springfield, Illinois, do artigo “The New Charismatics”, de Michael G. Moriarty, “Biblical Perspectives”, Vol. IV, No. 3, Maio/Junho de 1991. Este registro foi resumido e/ou adaptado pelo Biblical Discerment Ministries,  de um artigo “The History of the Charismatics”, na obra do Pastor Gary Gilley, de Março de 1999, “Think on These Things”-  – 8/00).

“The History of the Charismatic Movement”, Pr. Gary A. Gilley.

Traduzido por Mary Schultze, em 21/06/2008

www.cpr.org.br/Mary.htm

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  1. 24/02/2012 às 12:17

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