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Não está aqui.


 

Depois de um dia de descanso, as mulheres vão de madrugada buscar Jesus no sepulcro em que o haviam deixado. O Mestre já fazia falta, sua companhia, suas palavras, o que ele representava, e além do mais, que elas haviam presenciado ainda doía fundo no coração, vê-lo sendo espancado, humilhado, escarnecido, fazendo dEle um espetáculo pelas rua de Jerusalém, isso com aprovação dos principais sacerdotes, do povo; e os romanos, para manter a Pax Romana, fizeram o que sabiam fazer: pendurar um homem para sangrar até a morte. Isso ainda estava vívido nos corações delas.

Com as mãos carregando especiarias, unguentos e perfumes, elas não deixariam o corpo de Jesus exalar cheiro forte enquanto se deteriorava, queriam que fosse diferente, com Ele; Ele que as consolava, que tinha uma voz mansa e doce quando se dirigia ao grupo de mulheres, mostrando um contraste com a voz dura e um tanto exaltada quando vociferava contra os sacerdotes e líderes que oprimiam tanto seu povo, de mãos dadas com os Romanos; “Caifás pagará por isso”, diziam em seus corações.

Buscavam a Jesus, Palavra Viva, o Verbo Divino, o Cordeiro de Deus, mas chegando ao sepulcro viram a pedra retirada e o corpo já não estava lá.

Vazio. Panos dobrados em ordem, soldados caídos com suas armaduras e artefatos, poderosos reduzidos a corpos semi mortos.

Incompreensível situação para quem nunca a viu, turbilhões de pensamentos e impressões tomaram lugar à ansiedade de ver o Mestre, “Para onde o levaram? Onde está Ele, o deixamos aqui ontem mesmo!”.

A ansiedade humana de ver tudo como foi deixado, de ter o mundo em ordem, organizado segundo nossos intentos, segundo nossa vontade, um mundo onde não tem lugar nada que nos desnorteie, que nos aborreça, que nos contrarie, as mulheres buscam Jesus no meio de sua ordem mental das coisas. A pedra estava selando o sepulcro, agora está posta ao lado. Os soldados, orgulho do Império Romano, com seus gládios, espadas e escudos que fizeram reinos se ajoelharem, agora estão caídos como mortos. Jesus, que fora vencido pela religião imperativa em Jerusalém que sucumbira ao processo natural de todo homem, havia descido à sepultura, e ali deveria estar, inanimado, inchado, talvez irreconhecível, não estava lá.

Tudo estava fora de ordem, mas ali, numa discordância da narrativa dos Evangelhos, um ou dois homens resplandecentes, assentados, calmos, serenos e tranquilos, em contraste com a repugnância, medo e assombro que tomaram os guardas, aponto de os deixá-los semimortos, as mulheres não os temem, ainda quando eles proclamam “Porque buscais dentre os mortos aquele que VIVE? Não tenhais medo; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado.
Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Vinde, vede o lugar onde o Senhor jazia.”

Como? Ele VIVE? Buscamos então num sepulcro o dono da vida, buscamos entre os mortos o que não permaneceu morto? Buscamos nas estruturas e destinos humanos Aquele que não é homem, é o próprio DEUS? Onde o puseram? Onde o puseram? Perguntam ao Jardineiro que passava por ali. “Para onde foi o teu amado, ó mais formosa entre as mulheres? Para onde se retirou o teu amado, para que o busquemos contigo? O meu amado desceu ao seu jardim, aos canteiros de bálsamo, para apascentar nos jardins e para colher os lírios. Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele apascenta entre os lírios.” Ecoava em suas mentes Cantares de Salomão.

Então vez uma voz, ainda desconhecida, “Mulher, por que choras? Quem buscas?” num choro convulsivo de quem perdeu quem se ama, responde “Se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. A resposta vem de uma voz conhecida, de um tom cheio de amor e misericórdia, “Maria!”.

Choro, surpresa, medo dissipado, certezas refeitas, achei meu amado, achei Jesus!! “Raboni!”

Raboni! Gritamos em nossa alma quando ele nos encontra e nos chama pelo nome. Mestre! Quando nossas certeza são trocadas pela Sabedoria de Quem criou o mundo. Meu Salvador, quando nos damos conta da obra Redentora que Ele fez por nós.

Quando deixamos de busca-lo nas fatalidades humanas, nos poderes, governos, sabedorias e certezas que cultivamos durante toda a vida, Ele, o Jardineiro Amado, que desceu aos campos para nos colher, os lírios campestres sedentos pela água da vida, se fez homem, nunca deixando de ser Deus, apascenta os seus canteiros, este que semeou com lágrimas nos encontra e colhe-nos aos molhos, exultante e rejubilante, “Vinde, Benditos de meu Pai.”

Não busque entre os mortos aquele que vive. Jesus.

 

neilton, pastor.

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